domingo, 20 de outubro de 2013

Sorrisos podem dar indícios sobre desenvovimento de bebês


Pesquisador acredita que risadas ajudam bebês a interagir com o mundo e servem para mostrar a evolução de seu cérebro.

Da BBC

Os primeiros sorrisos e risadas de um bebê costumam encantar os pais. Mas também parecem dar indícios sobre o entendimento do mundo pelas crianças.
"Os risos começam muito cedo, assim como as lágrimas", diz à BBC Caspar Addyman, médico que investiga o tema no Birkbeck College, em Londres. "Isso nos faz pensar que se trata de uma forma de comunicação entre mãe e bebê antes da linguagem."
Com brincadeiras que causam sorrisos, mãe e bebê começam a interagir (Foto: BBC)Com brincadeiras que causam sorrisos, mãe e bebê começam a interagir (Foto: BBC)
Ele coletou quase 700 questionários sobre sorrisos de bebês ao redor do mundo e descobriu que eles sorriem em resposta a sensações prazerosas muito antes do que esperado - a partir de um mês de idade.
Pouco depois, entre dois e quatro meses, o bebê desenvolve sorrisos específicos para interagir com seus pais.
Addyman espera avançar em sua pesquisa e usar as risadas como uma nova forma de monitorar como os bebês veem o mundo ao seu redor.
Piaget
O psicólogo suíço Jean Piaget, quem mais influencia a visão corrente sobre desenvolvimento infantil, observou crianças em diferentes idades e identificou estágios de habilidade cognitiva.
No início da vida, disse Piaget, bebês só conseguem aprender a respeito do mundo ao interagir diretamente com ele, agarrando, chacoalhando e colocando objetos na boca.
Com cada experiência, concluiu o psicólogo, as crianças gradualmente aprendem a montar um retrato do funcionamento do mundo - uma espécie de física inocente infantil.
Mas Addyman acredita que estudar as risadas de bebês pode ser igualmente eficiente para ajudar estudiosos a identificar os desenvolvimentos das mentes infantis.
"Você só ri de algo quando o entende, então o motivo pelo qual (os bebês) riem dá indícios sobre seu entendimento", diz o médico.
Ele acredita que a habilidade infantil em achar graça de algo mostra que seu cérebro está se desenvolvendo.
Cadê?
O Projeto Baby Laughter (risada de bebê), que entrevistou pais em mais de 20 países, mostrou que brincadeiras de esconder o rosto são perfeitas para demonstrar um desenvolvimento cerebral fundamental: o que identifica que algo continua a existir mesmo quando você deixa de vê-lo.
Mas crianças muito pequenas não sabem disso - é por isso que bebês de seis meses de idade ficam tão surpresos com a brincadeira de esconde.
Na impossibilidade de ver a pessoa "escondida", eles acham que ela desapareceu - fazendo com que sua reaparição repentina cause risos.
Entre seis e oito meses de idade, a criança começa a entender que o adulto está apenas escondido. A brincadeira, então, vira a expectativa quanto à reaparição.
"Essa brincadeira é ótima. Diz respeito ao reaparecimento da mãe (aos olhos do bebê), mas também à comunicação compartilhada", explica Addyman. "É impossível não sorrir quando um bebê começa a dar risada com você, algo realmente valioso para desenvolver sua habilidade de interagir com outras pessoas."
Senso de humor
Um potencial elo entre riso e desenvolvimento de linguagem sugere que costumamos subestimar o senso de humor dos bebês.
"As crianças conseguem captar os ritmos de conversa através das piadas e de jogos", diz Addyman.
Por isso, risadas e sorrisos podem ser importantes ferramentas de comunicação para crianças antes de elas aprenderem a falar.
E até mesmo primatas costumam usar as risadas para interagir socialmente.
"Entre chimpanzés, o riso é usado sobretudo para brincar", explica Katie Slocombe, especialista em cognição da Universidade de York (Grã-Bretanha). "Quando um chimpanzé ri, isso parece estimular seu interlocutor a continuar a brincar - assim como faz um bebê tentando manter a atenção de um adulto."
Sendo assim, devemos tentar interpretar os significados ocultos por trás de cada risadinha? Addyman sugere cautela.
"Historicamente, costumamos projetar interpretações adultas sobre o que causa a risada dos bebês, e isso é um perigo constante neste tipo de pesquisa", diz ele.
"É preciso olhar para isso de maneira científica e em diversas idades, para realmente começar a entender o que está acontecendo com eles (enquanto riem).
"

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