sexta-feira, 5 de junho de 2015

Prisão de ventre infantil: saiba como ajudar seu filho

Prisão de ventre infantil: saiba como ajudar seu filho
Por ANDREZA EMÍLIA MARINO
A prisão de ventre é um problema de saúde que não é exclusivo dos adultos. Alguns estudos mostram que uma a cada três crianças em idade escolar apresenta retenção de fezes, e mais da metade das crianças com constipação intestinal continuam com o problema na adolescência ou até na vida adulta.
De acordo com Soraia Tahan, gastroenterologista pediátrica do Centro de Especialidades Pediátricas do Hospital Samaritano (SP) e professora-adjunta da Unifesp, 90% dos casos de prisão de ventre infantil são de ordem funcional, ou seja, não têm uma causa orgânica.
Para saber se o problema existe, o ideal é observar o hábito de evacuação dos filhotes. Segundo a médica, a criança está constipada se evacua menos de três vezes por semana. Fezes calibrosas, com rachaduras e que entopem o vaso, ou em forma de bolinhas são alguns dos sinais de prisão de frente. Pode haver ainda dor, fissura no ânus e sangue.
A médica chama atenção para o comportamento de retenção. “A criança vai ao banheiro e sente dor ao fazer cocô. A partir desse momento, para evitar que essa situação se repita, passa a fazer manobras para evitar a defecação. Ela sente o desejo, mas contrai glúteos, perna e musculatura da pelve na tentativa de inibi-lo”, explica. “As fezes ficam ressecadas e, consequentemente, mais difíceis de serem eliminadas. Daí, ela sentirá dor e o ciclo se repete”, conta. Se a criança adia a ida ao banheiro porque não quer interromper a brincadeira, também candidata-se a sofrer de prisão de ventre.
Os principais fatores que levam uma criança à constipação intestinal são dietéticos e comportamentais (ligados a questões emocionais). “Em casos leves, aconselho falar com o pediatra. Normalmente, ele irá indicar orientações dietéticas, como a ingestão de alimentos ricos em fibras (como frutas com casca e bagaço, grãos, leguminosas e verduras), e água, que ajuda a formar o bolo fecal”, diz Tamara. Ela lembra que a maçã, considerada vilã por muitos, não constipa.
Nos casos de prisão de ventre moderada, o pediatra poderá indicar outras manobras para aliviar o desconforto da criança. Já nos casos mais complexos, deverá encaminhar para um gastroenterologista infantil para que sejam realizados exames mais detalhados.
Treinamento
A professora da Unifesp propõe um treinamento para as crianças que costumam ter dificuldades no banheiro. “A dica é aproveitar o momento pós-alimentar, quando há o reflexo gastrocólico, e fica mais fácil evacuar”, explica.
“Aconselho criar a rotina de tentar por 10 minutos, após a refeição, mesmo sem vontade. Pode fazer força. É importante que seja um momento calmo, sem cobranças. A mãe pode, inclusive, oferecer um livro para a criança”, lembra. Segundo ela, o organismo tende a se acostumar com o horário, e a criança também, melhorando os aspectos fisiológicos e emocionais.Para os pequenos em fase escolar, Tamara sugere o vaso sanitário com redutor de assento. “Muito têm medo de cair no buraco e passam a segurar as fezes. O redutor ajuda a sanar essa questão. Ela recomenda também apoio para os pés, útil para fazer prensa abdominal. Já o desfralde, segundo a especialista, só deve acontecer quando a criança estiver realmente preparada, o que se dá, geralmente após os dois anos.
“Muitos pais ficam ansiosos e antecipam uma situação que pode acarretar problemas futuros. Não há necessidade. Tenha calma, evite cobranças e comparações, e respeite o tempo de cada criança.” 

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