"Veja," disse Didier Queloz, um pesquisador de exoplanetas na Universidade de Cambridge, "a espécie humana precisou de dez mil anos para se espalhar pela Terra. Para chegar aqui, precisei de oito horas em um avião para cruzar o oceano Atlântico. Talvez precisemos de mais umas centenas ou milhares de anos, mas não me parece loucura pensar que um dia enviaremos sondas para as proximidades desses planetas. Não há nenhuma limitação fundamental além do tempo."
Batalha concorda. "Assim que soubermos que há vida - assim que pudermos apontar para uma estrela no céu e dizer que há vida por lá - eu pessoalmente acho que passaremos a estudar formas de chegar lá."
Uma viagem interestelar tripulada certamente seria uma viagem multigeracional. Em um mundo que parece cada vez mais obcecado com gratificação instantânea, pode ser difícil imaginar pessoas sacrificando suas vidas para umca jornada que provavelmente não chegarão ao fim. E sim, como Ann Druyan, co-escritora e produtora da série Cosmos apontou, todo mundo envolvido em descobertas exoplanetárias hoje em dia é um pensador multigeracional.
"Há uns oitenta anos, a noção de que outros mundos circulando por estrelas não era, cientificamente, uma posição respeitável a ser tomada," ela disse. "E aqui estamos hoje, engajados em projetos multigeracionais."
"Olhe para catedrais", disse Queloz. "Muitas das pessoas que as construíram não achavam que as veriam prontas. Acredito que estamos construindo catedrais - a ciência é uma forma moderna de expressar isso. Acho que, como espécie, estamos acostumados a trabalhar em conjunto, a se unir, e isso está nos nossos genes."