sexta-feira, 15 de maio de 2015

Samt custeia atendimento odontológico de portadores de necessidades especiais

 
A presidente da Samt, Rosa Abou Hatem, comenta que essa ação compreende um trabalho social e de atenção a quem mais precisa de um olhar de respeito e de cuidados
 
São recebidos portadores de soro positivo HIV, hidrocefalia, microcefalia, deficiência física, visual, auditiva, psiquiátrica e intelectual, como a Síndrome de Down, além de acamados (Foto: Sandro Scheuermann)
 
Todas as sextas-feiras, a odontóloga Mônica de Moraes Orsatto atende em torno de sete pacientes portadores de necessidades especiais utilizando a estrutura física do Centro de Especialidades Odontológicas (CEO), na Universidade do Planalto Catarinense (Uniplac). O trabalho é custeado pela Associação de Assistência Social, Trabalho e Cidadania (Samt). O CEO cede a sala e os materiais e equipamentos. “É necessário saber lidar com a dor, com a questão de que estas famílias tinham outras prioridades para seus filhos, como o uso de fraldas, e os dentes acabaram ficando para depois”, diz Mônica.
A presidente da Samt, Rosa Abou Hatem, comenta que essa ação compreende um trabalho social e de atenção a quem mais precisa de um olhar de respeito e de cuidados. No local são recebidos portadores de soro positivo HIV, hidrocefalia, microcefalia, deficiência física, visual, auditiva, psiquiátrica e intelectual, como a Síndrome de Down, além de idosos, gestantes, acamados, vítimas de problemas cardíacos, hipertensão e diabetes.
Filhos e pais acalentados
A mãe Meri Lane Wolff Pilar saiu de casa, no bairro São Miguel, para levar o filho Carlos Samuel, 15 anos, ao CEO, na tarde desta sexta (15). Embora já tenha 54 anos, sobram forças para não desgrudar sua atenção do rapaz, que apresenta problemas mentais como sequelas de maus-tratos sofridos por uma pessoa quando bebê, ao ser asfixiado, provocando a falta de oxigenação no cérebro. Ela cria o garoto desde bebê. “Ele é um presente de Deus. É meu filho do coração”, frisa. O adolescente foi diagnosticado com hiperatividade, autismo e sinais de deficiência mental.
Além de Samuel, Meri tem mais três filhos, de 35, 33 e 28 anos, e cuida de uma neta de 10 anos desde pequena. “Esta é a segunda vez que ele é atendido pela doutora Mônica. Na primeira, ele teve um dente extraído. É ‘sacrificoso’, pois ele fica agitado. Hoje recebeu restauração em uma cárie. A gente tinha dificuldade de um dentista atendê-lo. A Mônica é diferente, tem amor e dedicação aos pacientes”, comenta.
De Capão Alto
Da localidade Chapada Três Umbus, em Capão Alto, a oito quilômetros do asfalto da SC-390, a aposentada Eva das Graças Pereira de Oliveira, 57 anos, e seu esposo, o lavrador Carmosino Jesus de Oliveira, 57, acompanharam o filho de 31 anos, João Maria Volnei de Oliveira, no atendimento dentário da doutora Mônica também na tarde desta sexta, pela quarta vez.
João sofre com crises de convulsão desde os seus 10 meses de idade e nesta sexta teve dois dentes extraídos. “A medicação forte e controlada contribui para que os dentes estraguem e é difícil cuidar. Eu gostei do atendimento e espero que seja sempre assim. A doutora é muito atenciosa, amável, conquista os pacientes e nós, os pais e familiares, com seu jeito humanizado”, observa.
Atendimento na sede da Samt
Cerca de 50 pacientes são atendidos por semana na sede da Samt, de forma gratuita, entre eles, público de programas municipais. A instituição arca com o gabinete odontológico, em sua sede, na rua Frei Gabriel, onde são realizados também alguns atendimentos para portadores de necessidades especiais, de segunda a sexta. Mônica de Moraes Orsatto atende das 8h às 10h, e a cirurgiã dentista Zilda Ferreira de Macedo, das 14h às 16h. São feitas limpeza dos dentes, obturações, extrações e orientações sobre higiene bucal. Além disso, as dentistas esclarecem dúvidas sobre o uso de chupetas, mamadeiras, aparelhos ortodônticos e exames radiográficos.
 

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