Karlesha Thurman estava na sua festa de formatura da faculdade na Califórnia. Feliz da vida, de beca e chapéu, ela postou uma foto no Facebook dela.
Nada mais trivial do que uma cena dessa, certo?
Acontece que na foto, ela aparece amamentando. Acontece que Karlesha é negra. Dois dados que fizeram a foto viralizar mídias sociais afora nos Estados Unidos.
Por quê?
Primeiro porque amamentar em público ainda é tabu... seja em muitos cantos do território americano ou aqui no Brasil.
Nos EUA, já até rolou um projeto que tentava chamar atenção para os perrengues que muitas mães passam na hora de dar de mamar fora de casa. Veja detalhes em Você já teve de amamentar em um banheiro?
Já aqui no Brasil, vira e mexa ouvimos casos de mulheres que foram proibidas de amamentar em locais públicos, como o caso que contei nesse post que deu auê.
Até o papa já se disse a favor da amamentação em público mas não adianta. Muita gente continua se revoltando quando mulheres como Karlesha resolve saciar a fome do bebê. Se sentem ofendidos em ver o seio de uma mulher amamentando - mas, hipocritamente, não se incomodam com a nudez no Carnaval, no Big Brother e por aí vai.
Mas a fota na formatura gerou polêmica também colocou o dedo na ferida de outro problema que ocorre tanto nos EUA quanto aqui: mães negras têm menos possibilidades de amamentar seus filhos do que as brancas.
Segundo o governo americano, entre todos os bebês nascidos no país em 2010, 77% foram amamentados enquanto que entre bebês negors, esse número cai para 62%.
No Brasil, um levantamento realizado por pesquisadores da Unicamp e da PUC (Fatores associados à duração mediana do aleitamento materno), e publicadas na Revista de Nutrição, mostrou que crianças negras e pardas tinham risco 17% maior de receber aleitamento por menos tempo que as brancas.
A explicação é a de que, normalmente, essas mães negras são de classes mais baixas, com menos acesso a informações sobre importância do leite materno e de dezenas de outros benefícios que ele traz para a saúde física e mental da mãe e do filho.
"Cabe observar que numa sociedade marcada pelo racismo e pelo sexismo, o desestímulo ao aleitamento materno atinge mais as mulheres socialmente vulneráveis (mulheres negras e indígenas, por exemplo) e, assim, gera entre outras coisas o aumento da morbi-mortalidade infantil da prole dessas mulheres", diz Isabel Cruz, membro titular do Comitê Técnico de Saúde da População Negra do Ministério da Saúde, em seu texto ˜Empoderamento das Mulheres negras da amamentação".
Diante desse cenários, ativitas começarma a usar a foto de Karlesha como uma maneira de incentivar a amamentação entre negras e forçar o governo e as empresas a criarem condições apropriadas para que elas consigam fazer isso.
Todo mundo sai ganhando quando mães e filhos estão felizes. Veja o depoimento da Karlesha sobre a polêmica.
"Eu descobri que estava grávida no ano passado, tive minha filha uma semana antes do último semestre da faculdade. Ela foi minha motivação para continuar. Então, eu receber o diploma era o NOSSO momento. Fiquei muito feliz de ter captado esse momento. Eu fiquei orgulhosa pelo fato de que eu não apenas me formei como eu pude compartilhar esse momento que a pessoa mais importante da minha vida: a minha filha.
E vocês, o que acham sobre essa polêmica?
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