quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Mioma: retirada do útero só é necessária em 1% dos casos

Mioma: retirada do útero só é necessária em 1% dos casos - 1 (© Foto: Thinkstock)
Por KARINA COSTA
De acordo com dados do Ministério da Saúde, durante o ano de 2012 o Sistema Único de Saúde (SUS) realizou mais de 100 mil cirurgias de retirada do útero por conta de mioma. Mas é preciso fazer um alerta, pois menos de 1% dos casos realmente exige a retirada do órgão, de acordo com o ginecologista especialista em mioma, Michel Zelaquet. E a principal causa do diagnóstico tardio e até da decisão por uma cirugia para retirada de útero envolve falta de cuidado com o corpo e conhecimento do médico. Além disso, podemos incluir as raras idas ao ginecologista, exames pouco aprofundados, a ausência de sintomas que identifiquem a doença e ainda a falta de informação sobre outros procedimentos para tratar o mioma.
"A cirurgia de retirada do útero - histerectomia - é a segunda mais realizada entre mulheres em idade reprodutiva, precedida apenas pelo parto cirúrgico", afirma o médico. Ele explica ainda que muitas delas sofrem só de pensar que não poderão ter filhos e isso mexe diretamente com a autoestima. Segundo o levantamento, feito pelo site que Michel corrdena, o Portal do Mioma, 60% das mulheres nem sabem o que é embolização. E este é um dos procedimentos mais eficazes da atualidade e que não exige a retirada do útero. A pesquisa foi respondida por cerca de 1.700 mulheres, sendo que 93% delas afirmaram estar com a doença.
Entre os dados da pesquisa, o ginecologista diz que 50% disseram já terem ido a mais de um ginecologista. No entanto, a maioria não conhece tratamentos que podem fazer a diferença. "E, embora 83% das mulheres tenham declarado que não gostariam de fazer a histerectomia, 32% delas afirmaram ter recebido essa indicação do médico”, revela. "Essas recomendações acontecem por avaliações não aprofundadas e essas mulheres ficam à mercê de procedimentos, estes que podem estar fadados ao insucesso. Assim como pode ser uma indicação desnecessária para a retirada do útero". Ao Tempo de Mulher, o médico detalha informações sobre a doença e orienta sobre os melhores tratamentos.
Mioma: retirada do útero só é necessária em 1% dos casos - 1 (© Foto: Thinkstock)
Mulheres entre 30 e 40 anos sem filhos são as mais predispostas a terem mioma
O especialista explica que miomas são tumores benignos que se formam no útero da mulher, principalmente na idade fértil. “As com maior predisposição são as que chegam aos 30 e 40 anos sem filhos – cerca de 40 a 80% delas - e também aquelas com histórico familiar da doença. Além desses casos, estima-se que até 80% das mulheres da raça negra tenham chance de ter por uma predisposição genética”.
Mas o ginecologista lembra que nada impede que as mais jovens também tenham o problema. “A frequência de mulheres na média dos 20 anos é cada vez maior. Já ouvi relatos de pacientes ainda mais jovens, aos 18, que descobriram miomas. Isso leva a acreditar que há outros fatores, estes relacionados a hábitos alimentares e comportamentais que aumentam as chances do mioma aparecer. Mais especificamente, deficiência de vitamina C, alimentação desregrada com ingestão de muitas gorduras, carnes vermelhas e açucares estão entre eles”.
Mioma: retirada do útero só é necessária em 1% dos casos - 1 (© Foto: Thinkstock)
60% das mulheres com mioma não sentem nenhum sintoma
Fluxo menstrual excessivo, cólicas, aumento do volume abdominal e da frequência urinária estão entre os principais sintomas. “Algumas podem até sofrer com infertilidade por conta do mioma. Estima-se que cerca de 30% das mulheres com mioma, e que sentem algum sintoma, têm dificuldade para engravidar”.
Mas o médico alerta que, por outro lado, 60% das mulheres com mioma não têm sintoma algum. “Como elas não têm sangramento em excesso - o sintoma mais comum-, muitas vezes a descoberta do mioma é tardia. Idas periódicas ao ginecologista e pedidos de exames mais específicos, além de ultrassonografia pélvica e transvaginal, podem diagnosticar a doença com mais eficácia”.
Mioma: retirada do útero só é necessária em 1% dos casos - 1 (© Foto: Thinkstock)
Cirurgia para retirada do útero não é necessária na maioria dos casos
Michel Zelaquet conta que a histerectomia – cirurgia de retirada do útero – é a mais frequente feita via SUS – Sistema Único de Saúde, segundo dados referentes ao ano de 2012. “Precede apenas o parto cirúrgico”, afirma. Mas informa que este procedimento é necessário em menos de 1% dos casos. “Foram mais de 100 mil cirurgias de retirada do útero por conta do mioma. Agora, quantas delas gostariam de ter filhos e não podem mais? No levantamento que fizemos, embora 83% das mulheres afirmem que não gostariam de fazer a histerectomia, 32% delas disseram ter recebido essa indicação de seu médico”, revela. E essas orientações acontecem por avaliações não aprofundadas por parte do profissional. A probabilidade dos médicos indicarem direto a histerectomia, apenas com uma ultrassonagrafia, é muito grande”.
Mioma: retirada do útero só é necessária em 1% dos casos - 1 (© Foto: Thinkstock)
Embolização é método eficaz de tratamento do mioma
Segundo o especialista, a miomectomia (cirurgia utilizada para retirar apenas o mioma) e a embolização (cateterismo uterino para obstruir o fluxo de sangue nos miomas) são as opções de tratamentos realizadas em menor escala. No entanto, são os mais eficazes!
“A embolização é um dos procedimentos mais modernos para casos de mioma. Com o procedimento, cortamos o fluxo de sangue do mioma e ele morre. O que dá fim aos sintomas e melhora a qualidade de vida dessas mulheres. Além de ser menos invasivo, há a rapidez na recuperação que é em torno de 10 dias. Mas, segundo levantamento do portal do Mioma, 60% nem conhecem o procedimento da embolização”.
“Nos Estados Unidos são feitas 14 mil embolizações por ano. No Brasil, não chegamos nem a 1 décimo disso, pois já partem direto para o cirúrgico”. O médico pondera que o dado é só para ilustrar por não ser um comparativo justo. Isso porque essa estatística é feita a partir de uma fiscalização de todos os sistemas de saúde norte-americanos. “O procedimento da embolização aumenta a cada ano e o da histerectomia diminui. Há uma maior conscientização por lá, mas aqui também estamos batalhando para se adequar a isso”.
Mioma: retirada do útero só é necessária em 1% dos casos - 1 (© Foto: Thinkstock)
Mioma pode voltar
A literatura médica ensina que 30% das mulheres que desenvolveram mioma enfrentarão novamente o problema dentro de um prazo de cinco anos, segundo afirma. “São 3 em cada 10 delas, sendo que dessas 3, somente 1 vai precisar de tratamento mais uma vez. Bom saberem que, se após o tratamento do mioma elas engravidarem, as chances da doença voltar diminuem”, comenta. “Outras medidas podem ser tomadas também para reduzir as chances da doença, como mudar os hábitos de vida e alimentares. Manter o peso estável, praticar atividades físicas e comer de forma saudável teoricamente diminuem as chances de tê-lo novamente”.
Mioma: retirada do útero só é necessária em 1% dos casos - 1 (© Foto: Thinkstock)
Mioma não vira câncer
O especialista em mioma, Michel Zelaquet, esclarece que o mioma é sempre benigno. “É importante insistir nisso, pois existe uma grande confusão da possibilidade de o mioma se transformar em câncer e isso não é verdade. Se numa primeira avaliação a mulher foi diagnosticada com mioma e, numa reavaliação, com um câncer, pode ter certeza que o erro estava no primeiro diagnóstico e era câncer desde sempre”.

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