Da REDAÇÃO
No período da gestação, quando o assunto é sexo, tanto as mulheres quanto os homens veem surgir uma série de dúvidas! Afinal, grávidas têm libido aumentada durante os nove meses? As relações sexuais na gestação podem machucar o bebê? A mulher tem chances de engravidar na quarentena? Há problemas em acariciar os seios da gestante durante o sexo?
O Tempo de Mulher foi atrás dessas e de outras perguntas para ajudar na "hora h" das mamães e dos papais! Quem responde é o médico obstetra Domingo Mantelli Borges Filho, autor do livro "Gestação – Mitos e verdades sob o olhar de um obstetra".
Grávidas têm libido aumentada durante a gravidez!
Depende. Várias gestantes relatam que têm uma queda da libido no início da gestação, muito por conta da ansiedade, do medo de abortamento e dos enjoos. Em geral, mais adiante, elas recuperam a libido e retomam as atividades sexuais normalmente. Às vezes, é ele que tem o desejo sexual diminuído porque se imagina tendo relações sexuais com a mãe do seu bebê e não mais com sua parceira. É importante que o casal tenha consciência dessas mudanças e as administre da melhor forma possível para manter o relacionamento conjugal saudável.
Relações sexuais durante a gestação podem machucar o bebê!
Mito. O bebê está dentro do útero, envolto em uma membrana, cheia de liquido amniótico. O colo do útero é fechado e ainda contém uma 'rolha de muco', esta que protege contra a entrada de micro-organismos. Portanto, durante a relação sexual, de forma alguma o pênis entra em contato com o bebê.
As práticas sexuais do casal só devem ser interrompidas se o médico constatar, durante o pré-natal, alguma complicação que as impeça, como sangramentos genitais, riscos de abortamento, de parto prematuro, de descolamento prematuro da placenta, entre outras.
As relações sexuais durante a gestação são até benéficas porque aumentam o fluxo sanguíneo na região pélvica da mulher e a oxigenação do feto. Além disso, o orgasmo produz endorfinas, que são hormônios que trazem uma sensação de bem-estar não só para a gestante, mas também ao bebê.
A atividade sexual deve ser interrompida na quarentena!
Verdade. Os vasos sanguíneos do útero, onde antes ficava a placenta, estão abertos ainda. Há, portanto, risco de contaminação e infecção se houver relação sexual. O atrito do pênis durante a penetração também causa dor nesse período. Além disso, a mulher tem sangramento vaginal nessa fase. É preciso lembrar que a febre é um sinal de infecção e, caso apareça, um médico deve ser procurado. O sexo deve recomeçar devagar e gradualmente. Geralmente, o retorno à atividade sexual só ocorre após o puerpério, ou seja, 42 dias após o parto.
Não há problemas em acariciar os seios da gestante durante o sexo!
Depende. Não há problema em fazer carícias leves e superficiais nas mamas da gestante. No entanto, carícias mais vigorosas, como sucção, podem ser prejudiciais porque podem liberar o hormônio ocitocina no sangue da gestante. Ele é uma substância que provoca contrações no útero e eleva os riscos de abortamento ou até de parto prematuro em mulheres mais suscetíveis.
Durante as relações, o homem não pode ejacular dentro da mulher!
Mito. O bebê está protegido dentro do útero, e o fato do homem ejacular dentro da mulher em nada a afeta. O que pode ocorrer após a ejaculação é a mulher sentir um pouco de cólica. Isso é normal, já que o esperma contém prostaglandinas, hormônios que podem estimular pequenas contrações do útero. É também por esse motivo que, em casos de risco de abortamento ou de trabalho de parto prematuro, as relações sexuais devem ser suspensas.
A mulher pode engravidar durante a quarentena!
Verdade. Embora essa possibilidade seja extremamente reduzida, por causa da amamentação exclusiva, o risco existe. Por isso, a prevenção é necessária mesmo durante a amamentação. Existem contraceptivos específicos que podem ser tomados por quem está amamentando somente à base de progestágeno, sem a presença de estrógenos.
É normal haver diminuição da lubrificação vaginal durante a amamentação!
Verdade. No período do aleitamento materno, aumenta substancialmente a quantidade do hormônio prolactina, responsável pela produção do leite no organismo da mulher. Esse hormônio reduz a ação do outro, o estrógeno (ou estrogênio) e, por isso, ocorre a diminuição da lubrificação vaginal. É uma condição temporária e que desaparece após o desmame e com a frequência das relações sexuais. Enquanto essa condição perdurar, a mulher poderá usar lubrificantes íntimos à base de água.
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