“Há
muitos anos as mulheres estavam esperando o curso de pintura em tecido e não
eram ouvidas. A partir de agora realmente suas reivindicações estão sendo
acatadas, pois os cursos do Projeto Ciranda acontecem somente depois que as
mulheres apontam suas preferências. Mudou muito, 100%! Até o tratamento em
relação às funcionárias mudou (...) - Marli Borges Dexcheimer
Até a última semana de
novembro segue o período de duração das aulas do curso de artesanato do Projeto
Ciranda, oferecido pela Associação de Assistência Social, Trabalho e Cidadania
(Samt) para mulheres moradoras do bairro Ferrovia e adjacências.
Marli Borges Dexcheimer
(53) reside no bairro Habitação, trabalha como monitora na instituição há oito
anos e já contribuiu diretamente para a qualificação de aproximadamente 400
mulheres. Professora no bairro Ferrovia, ela realiza as aulas no salão da
Igreja Católica Senhor Bom Jesus.
“No Ferrovia, as aulas
começaram em abril. Ministro aulas às quintas-feiras aqui; às segundas, no
Santa Maria; no São Cristóvão às quartas e às sextas, no Cristal. No bairro
Ferrovia, participam das aulas de pintura em tecido, 25 alunas, entre 25 e 81
anos.” A monitora já desempenhou ensinamentos de artesanato em papel vegetal, biscuit, patchwork, bordado, crochê e tricô.
“Há muitos anos as
mulheres estavam esperando o curso de pintura em tecido e não eram ouvidas. A
partir de agora realmente suas reivindicações estão sendo acatadas, pois os
cursos do Projeto Ciranda acontecem somente depois que as mulheres apontam suas
preferências. Mudou muito, 100%! Até o tratamento em relação às funcionárias
mudou. O fornecimento de matéria-prima acontece direto, com maior frequência e
sem falhas. As meninas saem de casa, fazem amizades, chegam aqui empolgadas; é
bom para a mente”, define.
Toalhas de louça, de
banho, rosto e mãos, cortinas e jogos de cozinha ganham “vivacidade” depois de pintados
os desenhos, motivados nesta época do ano pelas festividades natalinas. Papais
Noéis, velas e guirlandas ganham formas aos poucos, dando as boas-vindas à data
mais esperada do ano.
“Os produtos mais bem
elaborados estão sendo levados para compor a Feira Artesanal durante o Natal
Felicidade (realizado entre os dias 30 de novembro e 23 de dezembro), no centro
da cidade. O que elas estão produzindo além do curso, como chinelos decorados
com miçangas, também será aproveitado na Feira, fascinando os turistas. Elas
utilizam as peças que produzem para enfeitar a própria casa, presentear
parentes e amigos e, ainda, gerar renda, ajudando os maridos.”
Selanira Ribeiro da
Silva, aos 81 anos, tem precisão ao apanhar o pincel e garante que ainda tem
muito a aprender. “Eu gosto de vir para cá. As meninas são faceiras e isso me
contagia. Tenho muito pano de prato para pintar”, propõe a pensionista moradora
do Ferrovia. Os mesmos planos faz a dona de casa Elisa Figueiredo, aos 56 anos.
“O grupo se engaja, se desafia e no fim todo mundo se entende.”
Legenda
fotos: Autovalorização e reposicionamento na sociedade constituem os principais
preceitos do Projeto Ciranda.
Texto
e fotos: Daniele Mendes de Melo


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